quarta-feira, março 03, 2010

OS IRMÃOS PENTECOSTAIS

OS IRMÃOS PENTECOSTAIS


 

Reverendo Antônio Carlos, estou fascinado com suas preleções o COMEPE, em Anápolis, pois o senhor nos mostrou que pode existir uma "fé que pensa", e nesta oportunidade, queria perguntar o que o senhor. acha do movimento pentecostal, e do verdadeiro batismo com o Esp.Santo.

O Comepe é um dos encontros mais importantes do protestantismo brasileiro, reunindo milhares de pessoas, que representam centenas de igrejas, das mais diferentes denominações, embora a maioria seja de origem pentecostal.

"Crer é também pensar", dizia John Stott. O que move uma igreja inteira quando o evangelho é pregado, é a fidelidade às Sagradas Escrituras associada à irrefutabilidade de argumentos solidamente racionais, e isso, no poder do Espírito Santo. Luz e fogo. 
Compromisso com a verdade revelada e respeito ao orgão mais nobre do ser humano, que o distingue dos animais.

O movimento pentecostal é uma reação ao formalismo da igreja, ao ministério de um só homem, à perda do caráter transcendental do culto cristão e ao esquecimento da pessoa do Espírito Santo.

Contudo, o movimento pentecostal carece daquilo que, muitas vezes, o faz frustrar alguns dos seus melhores membros, e leva aos que não pertencem às suas igrejas, a levantar sérias críticas quanto ao seu padrão de espiritualidade.

Muitas das igrejas pentecostais não souberam preservar o que há de bom na cultura protestante, desconhecendo suas próprias origens, e incorrendo nos erros condenados pelos reformadores no passado. Não são poucas as igrejas pentecostais extremamente legalistas, carentes de um conceito de graça, e, consequentemente, mais católicas do que imaginam.

Falta-lhes uma maior harmonia entre doutrina, experiência e prática. Há muita ênfase posta no caráter experimental da fé, em detrimento dos elementos intelectual e prático. 
Conhece-se pouco teologia na maioria das suas igrejas, e sua ética é basicamente privada, sem nenhuma perspectiva pública -por isso, que apesar de o protestantismo brasileiro ser de maioria pentecostal-, o país não muda a partir de uma mobilização popular que tenha na vanguarda a igreja. Somos a nação mais desigual do planeta, ao mesmo tempo em que há uma proliferação sem precedente de igrejas pentecostais. Vale ressaltar, que as igrejas históricas, apesar do seu glorioso passado, e da riqueza dos seus sistemas doutrinários, padecem do mesmo mal crônico: a irrelevância histórica.

Sou grato ao movimento pentecostal. Fui evangelizado por pentecostais, cresci numa atmosfera pentecostal, já orei muito com pentecostais, amo o transcendentalismo pentecostal e sinto-me honrado por receber tantos convites para pregar em igrejas pentecostais.

Na minha experiência pastoral, parece-me que é mais fácil trazer um pentecostal para a fé reformada do que botar fogo num reformado frio. O dia, contudo, em que houver um encontro entre a tradição de espiritualidade reformada e o movimento pentecostal, veremos surgir no país uma igreja culta, dinâmica, santa, livre. Consequências políticas se seguirão, universidades serão abertas, rapazes inteligentes e ungidos ocuparão os púlpitos de nossas igrejas, e o protestantismo brasileiro, terá finalmente harmonizado, doutrina, experiência e prática.

Antonio Carlos Costa

Analisando o fenômeno Harry Potter e suas filiais

Analisando o fenômeno Harry Potter e suas filiais
Não é nenhuma novidade que o fenômeno Harry Potter tem ganho milhares de filiais no mundo todo. Chamo de filiais, novas sagas juvenis sobre personagens problemáticos que encontram num mundo fantasioso o segredo para sua felicidade.

J.K. Rowling foi a responsável por iniciar esse movimento jovem de leitura com personagens incrivelmente apaixonantes e que rementem aos problemas de rejeição própria ou do ambiente que vivem. Como as filiais mais bem sucedidas atualmente temos a saga Crepúsculo, da qual já escrevi aqui, e atualmente Percy Jackson.

Percy Jackson então, nem dá para não imaginar Harry Potter, Hermione e companhia vivendo as sagas do semi-deus só que com outros nomes e uma nova roupagem. Roupagem da qual, nós cristãos, não conseguimos desassociar como algo além do pensamento cristão. Enquanto J.K. Rowling iniciou muitos jovens ao encanto da Bruxaria, Rick Riordan nos apresenta o mundo da mitologia grega e nossa querida Stephanie Meyer - da saga twilight - nos envereda pelo mundo folclórico dos vampiros.

O encanto que esse tipo de mundo imaginário tem tido sobre os jovens e adolescentes no mundo todo parece ter ocupado o vazio que muitos deles sentiam ao ler livros sem uma linguagem própria e adequação a realidade deles.

Depois de analisar bem esse fenômeno que cresce assustadoramente e vende milhões e milhões de livros no mundo todo, não pude deixar de pensar como o mercado cristão não consegue ver a possibilidade de criar, a partir de agora, uma identificação própria com os leitores que estão sedentos por mais livros desta estirpe.

Atualmente o único livro que li e que se propõe a tal é da editora Anno Domini, "O Enigma da Bíblia de Gutemberg", que relembra as coleções de mistério da minha tão saudosa adolescência e que foram fundamentais para que eu me tornasse a leitora compulsiva que sou hoje.

Onde estão todos aqueles que escrevem maravilhosamente sobre a teologia e tantos outros assuntos cristãos e que podem aproveitar esse gancho para levarem nossos jovens para mergulharem no mundo maravilhoso das histórias bíblicas?

Nosso único representante de peso nesta área é "Crônicas de Nárnia" de Clive Staples Lewis - mais conhecido como C.S. Lewis. As siglas iniciais mais uma vez relembram a escritora de Harry Potter, seria ela uma aficcionada por nosso grande escritor cristão ou mera coincidência?

Infelizmente, C.S. Lewis morreu em 1963 e deixou todos os jovens e adolescentes cristãos órfãos da leitura que poderia ser a principal porta de evangelismo para todos esses fãs dessas sagas e filiais de agora.

Mas até quando será assim? Até quando estaremos aguardando um grande escritor cristão que nos remeta ao mundo maravilhoso do Éden? Ou da Torre de Babel? Quem sabe analisando o dilúvio ou até a era encantadora dos Reis Davi e Salomão, onde gigantes ainda viviam em nosso meio.

O que não faltam são enredos maravilhosos, conhecimentos dos problemas psicológicos dos nossos jovens de hoje e para isso, não precisa ir muito longe, um mundo de encanto onde os anjos seriam o foco da história bastaria para encantar milhões de jovens deslumbrados com essa linha editorial.

Essa é apenas uma das reflexões que faço, pois eu estou, também, carente por ler histórias deste nível e que me ajudem a evangelizar ainda mais.
Fonte: Deus Fm

terça-feira, março 02, 2010

O Sermão da Montanha, Versão para educadores.

O Sermão da Montanha, Versão para educadores.




Aos amigos Educadores...
O Sermão da montanha (*versão para educadores*)


Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem.
Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens. Tomando a palavra, disse-lhes:

- “Em verdade, em verdade vos digo: Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque eles...”
Pedro o interrompeu:
- Mestre, vamos ter que saber isso de cor?
André disse:
- É pra copiar no caderno?
Filipe lamentou-se:
- Esqueci meu papiro!
Bartolomeu quis saber:
- Vai cair na prova?
João levantou a mão:
- Posso ir ao banheiro?
Judas Iscariotes resmungou:
- O que é que a gente vai ganhar com isso?
Judas Tadeu defendeu-se:
- Foi o outro Judas que perguntou!
Tomé questionou:
- Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?
Tiago Maior indagou:
- Vai valer nota?
Tiago Menor reclamou:
- Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.
Simão Zelote gritou, nervoso:
- Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?
Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!
Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
- Isso que o senhor está fazendo é uma aula? Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica? Quais são os objetivos gerais e específicos?
Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?
Caifás emendou:
- Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades
integradoras com outras disciplinas? E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais?
Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?
Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e
reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos
para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade. Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto.
- E vê lá se não vai reprovar alguém! Lembre-se que você ainda não é
professor titular...
Jesus deu um suspiro profundo, pensou em ir à sinagoga e pedir aposentadoria proporcional aos trinta e três anos. Mas, tendo em vista o fator previdenciário e a regra dos 95, desistiu.
Pensou em pegar um empréstimo consignado com Zaqueu, voltar pra Nazaré e montar uma padaria...
Mas olhou de novo a multidão. Eram como ovelhas sem pastor... Seu coração de educador se enterneceu e Ele continuou:
-“Felizes vocês, se forem desrespeitados e perseguidos, se disserem mentiras contra vocês por causa da Educação. Fiquem alegres e contentes, porque será grande a recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram outros educadores que vieram antes de vocês”.
Tomé, sempre resmungão, reclamou:
- Mas só no céu, Senhor?
- Tem razão, Tomé - disse Jesus - há quem queira transformar minhas palavras em conformismo e alienação.. Eu lhes digo, NÃO! Não se acomodem. Não fiquem esperando, de braços cruzados, uma recompensa do além. É preciso construir o > paraíso aqui e agora, para merecer o que vem depois...
E Jesus concluiu:
- Vocês, meus queridos educadores, são o sal da terra e a luz do mundo.


SAL : os valores que conservamos
LUZ: a reflexão sobre os diferentes caminhos

Texto de abertura do Programa Rádio Vivo — Rádio Itatiaia, Belo Horizonte : 15/10/2009, do professor Eduardo Machado.

segunda-feira, março 01, 2010

O cantor e pastor Zé Bruno revela porque saiu da Igreja Renascer

O cantor e pastor Zé Bruno revela porque saiu da Igreja Renascer

Zé Bruno fala sobre a sua saída da Renascer e revela o futuro da banda Resgate

Por Rodrigo Ribeiro Rodrigues

O bispo Zé Bruno saiu da Igreja Renascer em Cristo e se desligou do corpo pastoral da denominação. Diante dos boatos sobre brigas e desavenças, que teriam acontecido entre o deputado estadual e membros do ministério Renascer, Zé Bruno, explicou.

Realmente eu deixei o ministério, mas sem atrito nenhum com a bispa Sônia ou com o apóstolo Estevam Hernandes. Foi Deus que me guiou e tocou em meu coração que era a hora de deixá-los, mas vou estar na marcha e nos eventos da Renascer. Quero abrir uma célula com minha família.

Zé Bruno falou do sentimento de deixar a Renascer. Eu saí, mas nós vamos sempre estar juntos, vivendo no corpo de Cristo. Jesus não dividiu o pão, Ele partiu para multiplicar e é isso que está acontecendo comigo. É claro que da saudades, você cria um vínculo com as pessoas, mas é como se nós mudassemos de casa, de bairro, você chora e tudo, mas ninguém morreu, brinca Zé Bruno.

Também destacou a banda da qual faz parte e sobre a vida na política. A banda Resgate tem 21 anos, então enquanto nós tivermos saúde, gente pra nos ouvir nós vamos continuar tocando e levando a palavra, porque não é só a questão musical, nós fazemos oração, pregamos a palavra, tem gente que se converte, é claro que tem essa ideia de gravar CD, mas eu tenho a vocação para ser pastor. Eu não sou cantor que me transformei em pastor ou vice-versa. Com relação a política, eu não sinto em continuar depois que meu mandato terminar nesse ano, só se Deus tocar no meu coração, concluiu Zé Bruno.
Fonte: Galileu

O Evangelho é Jesus

Ronaldo Lidório*
cruz na janela
O pacto de Lausanne, oficializado em 1974 por líderes de 150 países, sintetizou a missão da Igreja dizendo que o propósito de Deus é oferecer o evangelho todo, por meio de toda a Igreja, a toda criatura, em todo o mundo.
Deixa, assim, bem claro que a missão de Deus é o mundo. O método de Deus é a Igreja. O tempo de Deus é hoje.
Na sua carta aos Romanos, capítulo 1, verso 16, Paulo expõe: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego”.
Temos frequentemente uma má compreensão bíblica sobre o que é o evangelho. No meio missionário ouvimos que o “evangelho está se expandindo”, que o “evangelho está crescendo”, que o “evangelho está sofrendo oposição”, pois compreendemos, de forma reducionista, que o evangelho é a Igreja, ou o próprio movimento missionário.
O apóstolo Paulo, porém, expõe que o evangelho não somos nós, mas sim Jesus Cristo. Aos Romanos ele inicia a carta falando da promessa do evangelho, e que Cristo é o cumprimento desta promessa. Jesus, portanto, é o evangelho. Usando cores fortes no verso 16 do capítulo 1 Paulo afirma que “não me envergonho do evangelho”, ou seja: “eu não me envergonho de Jesus”. Quando ele afirma que o evangelho “é o poder de Deus” ela deseja comunicar que “Jesus é o poder de Deus”. Quando ele categoricamente destaca que o evangelho é poderoso para “salvar a todo aquele que crê” refere-se a Cristo: Jesus é poderoso para salvar a todo aquele que crê.
Assim, se nos envergonharmos do evangelho, estamos nos envergonhando de Jesus. Se deixarmos de pregar o evangelho, deixamos de pregar a Jesus. Se não cremos no evangelho, não cremos em Jesus. Se questionamos o evangelho, não estamos questionando uma doutrina, um movimento ou a Igreja. Nós estamos questionando Jesus.
Há algumas implicações nesta verdade bíblica.
Em primeiro lugar o evangelho jamais será derrotado, pois o evangelho é Cristo. Sofrerá oposição, seus pregadores serão perseguidos, será caluniado e ignorado, mas jamais derrotado.
Em segundo lugar o evangelho não é o plano da Igreja para a salvação do mundo, mas o plano de Deus para a salvação da Igreja. O que valida a Igreja é o evangelho, não o contrário. A Igreja só é igreja se for evangélica – se seguir o evangelho.
Em terceiro lugar o evangelho não deve ser apenas compreendido e vivido, mas também proclamado. Ele se manifestou entre nós para ser pregado pelo povo de Deus. Paulo usa esta expressão diversas e diversas vezes. Aos Romanos ele diz que se esforça para pregar o evangelho (Rm 15.20). Aos Coríntios ele diz que não foi chamado para batizar, mas para pregar o evangelho (1Co 1.17). Diz também que pregar o evangelho é sua obrigação (1Co 9.16).
A pregação abundante do evangelho, portanto, não é aqui apenas o cumprimento de uma ordem ou uma estratégia missionária, mas o reconhecimento do poder de Deus.
Paulo está dizendo, por outro lado, que é possível haver dor ao pregar o evangelho. Que poderemos ser perseguidos e passar por constrangimento. Perante esta possibilidade ele brada: “Não me envergonho do evangelho…” porque o evangelho é Jesus.
O pastor Hernandes Dias Lopes diz que a obra missionária é imperativa, intransferível e inadiável. Ele tem razão. Diz também que a Igreja é a única que não ouve e obedece a voz de Deus.
Deus ordenou, e sua Palavra sempre foi obedecida. Ele disse ‘haja luz’ e houve luz. Falou ao mar e ele se abriu. Sua palavra foi obedecida por demônios que foram expulsos, enfermos que foram sarados, muralhas que caíram. Ele falou à tempestade e ela se acalmou.
Ele também ordenou a igreja: vá por todo o mundo anunciar Jesus a todas as nações. Após 2.000 anos de Cristianismo Jesus ainda permanece desconhecido por boa parte do planeta, mais de 3.500 línguas faladas por 2 bilhões de pessoas não o conhecem. Será a Igreja, entre todos, a única a desobedecer ao comando do Senhor?

* Ronaldo Lidório é missionário das missões AMEM (A Missão de Evangelização Mundial) e APMT (Agência Presbiteriana de Missões Transculturais) e atualmente trabalha no Amazonas. É doutor em antropologia e está envolvido com o desenvolvimento sustentável em projetos sociais. É organizador de A Questão Indígena e Indígenas do Brasil, ambos da Editora Ultimato.

O MÁGICO E AS OVELHAS

O MÁGICO E AS OVELHAS
Era uma vez um mágico que criava ovelhas.

Quase todos os dias ele reunia o rebanho, escolhia uma que estivesse mais gorda e a matava, ali mesmo, na frente das outras, para comercializar a carne no açougue da cidade.

As ovelhas, de tanto presenciar aquelas cenas, começaram a ficar apavoradas, temendo que, a cada vez que viesse o mágico para reuni-las, chegasse a sua vez. E, de tanta preocupação, começaram a perder peso.

Isso começou a preocupar o mágico, pois prejudicava seus negócios.

Homem esperto, resolveu hipnotizar as ovelhas, fazendo-as pensar que não eram ovelhas e, sim, leão, touro, cavalo de corrida, cachorro de raça, e daí por diante, de forma que cada uma das ovelhas ficou acreditando ser um animal diferente, forte. Muito forte!

Agora, cada vez que o mágico pegava uma delas e a matava, ali mesmo, na frente das outras, elas não ficavam mais incomodadas.

Tranqüilas, ficavam pensando, descansadas que tal fato jamais aconteceria com elas, pois sabiam que o mágico só matava ovelhas. E elas não eram ovelhas.
Tinham uma vaga noção de que alguma coisa de ruim estava acontecendo, mas, oras bolas, porque se preocupar? Fosse o que fosse, certamente não era problema delas. E seguiam suas vidas, mansamente, enquanto o rebanho ia sendo dizimado.



Entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras... E muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade; também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão comércio de vós.
II Pedro 2.1-3

Porque Eu Amo a Igreja


Eu amo a Igreja.
Ela é a Noiva de Cristo e seria um descaramento enorme de minha parte amar Jesus e não amar sua noiva.
Eu amo a Igreja porque Jesus a amou e deu Sua vida por Ela.
Eu amo a Igreja porque ela é constituída de gente como eu, pecadores salvos pela graça de Deus, mediante a fé em Cristo.
Eu amo a Igreja porque ela é portadora da Grande Comissão que leva esperança a todos os povos.
Eu amo a Igreja porque sou parte dela e não curto muito a ideia de masoquismo disfarçado de espiritualidade.
Eu simplesmente amo a Igreja.
Numa época em que virou moda falar mal da igreja e incentivar pessoas a abandonarem suas igrejas, num êxodo espiritual que Deus sabe lá para onde levará os que o seguirem, eu continuo afirmando meu amor por Cristo e Sua Igreja.
Foi por isso que comprei o livro recente de  Kevin DeYoung e Ted Kluck. Aliás, este livro merece ser publicado em português e lido em conjunto com toda a literatura promovendo a nova instituição do cristianismo sem igreja. O título já é provacativo: Why We Love the Church: In Praise of Institutions and Organized Religion (Porque Nós Amamos a Igreja: Em Louvor de Instituições e Religião Organizada). DeYoung e Kluck, que já tinham sinalizado desvios no movimento de igreja emergente em seu livro anterior (Porque Não Somos Emergentes: Por dois caras que deveriam ser), apontam agora as distorções do cristianismo sem igreja. Segundo eles, seu livro poderia ter sido chamado de “tendências recentes em desmembramento”.
É preciso conhecer bem pouco da Bíblia e da História da Igreja para cair nessa crença de que tanto uma quanto a outra ensinam uma vida de cristianismo sem igreja. Por mais que os “advogados” do cristianismo sem igreja possam falar, não há nem nos ensinos de Jesus, nem no restante do NT, nem na história da Igreja, nenhuma ênfase a seguir Jesus sem participar da comunhão dos santos.
É evidente que no curso da história, pessoas quiseram influenciar o pensamento cristão com suas idéias e contestações. Muitas destas foram consideradas heresias e não prevaleceram. Albert Camus disse: “Todo revolucionário termina se tornando ou um opressor ou um herege.” A “Revolução” sem igreja tem mais chances de se tornar no último. Assim também a fuga do “Cristianismo Pagão” pode gerar mais pagãos no longo prazo, do que verdadeiros discípulos de Jesus, como pretendem seus autores.
A razão simples para isso é que as idéias propagadas por esses livros (e outros semelhantes a eles) poderiam até ser de alguma utilidade, não fosse a tremenda cara-de-pau expressa no messianismo disfarçado de seus autores, ao se colocarem como os “salvadores” da Igreja das garras malígnas da Instituição. Durante dois mil anos todo mundo esteve errado. Agora, graças a eles, finalmente poderemos enxergar a verdade sobre o Cristianismo. E a verdade que eles anunciam é essa: “Saia de sua igreja! Ela é a raiz de todos os seus problemas espirituais. Vá jogar golfe aos domingos, pois a verdadeira espiritualidade se encontra no campo de golfe… Vá tomar uma cervejinha no barzinho com amigos e filosofar sobre assuntos espirituais porque é aí que está a igreja verdadeira…” Corta essa meu!
Adiante o filme da história em 50 anos e veja se você consegue enxergar os efeitos dessa onda do cristianismo sem igreja:
1) Na pior das hipóteses, seu resultado será uma vitalidade espiritual semelhante a presente hoje no continente europeu. Não creio que nenhuma pessoa que ame Jesus de fato, deseje isso.
2) Ou então terá desaparecido, assim como outras ondas e modas surgidas no passado que, por não estarem em sintonia com o Espírito de Deus, não prevaleceram contra a Sua Igreja.
Se eu estiver errado em minha atitude para com a Igreja, não terei perdido nada com isso. Como já disse, eu amo a Igreja. Amo estar com meus irmãos para celebrar junto com eles a vida (ainda que, em certas estações da vida, esse encontro aconteça apenas uma ou duas vezes por semana), aprender o significado do amor, perdão, comunhão e incentivar uns aos outros na prática das boas obras e na proclamação da esperança do Evangelho.
De um modo pragmatico, vejo muito mais possibilidades de servir a Deus em conjunto com outros, do que isolado em meu canto, blogando de pijama (como diria Mark Driscoll)  sobre os males da instituição, como se “a instituição” fosse um mal em si mesma.
John Michael Talbot diz o seguinte sobre Igreja e instituições: “Ainda que algumas instituições religiosas possam com freqüencia assemelhar-se mais a corporações seculares do que a comunidades voltadas para Deus (…) sempre há lugar nas igrejas para aquelas pessoas guiadas por um completo comprometimento espiritual.”
A Igreja prevalecerá contra todos os ventos de doutrina, não há dúvidas quanto a isso. A questão (e o que me preocupa) é quantos daqueles que estão trocando suas congregações por essa onda atrativa do cristianismo sem igreja estarão firmes na fé em Cristo daqui 5-10 anos…