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quarta-feira, abril 21, 2010

Sermão de Casamento – Mario Quintana

Sermão de Casamento – Mario Quintana


Em maio de 98, escrevi um texto em que afirmava que achava bonito o ritual do casamento na igreja, com seus vestidos brancos e tapetes vermelhos, mas que a única coisa que me desagradava era o sermão do padre:
"Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?"
Acho simplista e um pouco fora da realidade. Dou aqui novas sugestões de sermões:
- Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?
- Promete saber ser amiga(o) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?
- Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?
- Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e, portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?
- Promete se deixar conhecer?
- Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?
- Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?
- Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?
- Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?
- Promete que será tão você mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja?

Sendo assim, declaro-os muito mais que marido e mulher: declaro-os maduros."

terça-feira, março 30, 2010

Os Pobres

Os Pobres

Olavo Bilac

Aí vêm pelos caminhos,
Descalços, de pés no chão,
Os pobres que andam sozinhos,
Implorando compaixão.

Vivem sem cama e sem teto,
Na fome e na solidão:
Pedem um pouco de afeto,
Pedem um pouco de pão.

São tímidos? São covardes?
Têm pejo? Têm confusão?
Parai quando os encontrardes,
E dai-lhes a vossa mão!

Guiai-lhe os tristes passos!
Dai-lhes, sem hesitação,
O apoio do vossos braços,
Metade de vosso pão!

Não receieis que, algum dia,
Vos assalte a ingratidão:
O prêmio está na alegria
Que tereis no coração.

Protegei os desgraçados,
Órfãos de toda a afeição:
E sereis abençoados
Por um pedaço de pão . . .

sábado, março 20, 2010

O cabra Caloteiro

O cabra Caloteiro

Nas banda das palestina
Tinha um cabra caloteiro
Que devia todo mundo
Devia muito dinheiro
Foi preso pelo juiz
E caiu no desespero
“Oh seu moço senta aqui!”
Disse a voz do delegado
Sua acusação é grande
É a maior de todo estado
Pegue logo seu dinheiro
E pague quem foi enganado
O moço fez choro e drama
Implorou por salvação
Disse que não tinha nada
E pediu prorrogação
O delegado mui bondoso
Aceitou a petição
Logo que voltou pra casa
Foi atrás de mais dinheiro
Reuniu os seus capangas
O seu plano foi certeiro
Recolher os dividendos
Daquele velho ferreiro
O comboio assustava
Aquele velho senhor
Que clamava piedade
“Daí-me tempo por favor”
Dinheiro não tenho em casa
E nem nada de valor
O danado caloteiro
De ira logo se encheu
Nem quis saber da história
E logo já o rendeu
Fez do velho o seu escravo
E na fazenda o prendeu
A história correu solta
Divulgou pela cidade
O delegado logo soube
Da tamanha crueldade
O caloteiro larapio
Tinha agido com maldade
De manha bem logo cedo
Chegou a intimação
O caloteiro da cidade
Foi posto em audição
O delegado da policia
Dirigia a acusação
Sua divida era grande
Afrontava toda a lei
Me clamava por clemência
E perdão não recusei
Mas agiste de má fé
Os seus atos eu bem sei
Como eu lhe perdoei
Deverias perdoar
Mas a gana por dinheiro
Impediu-o de amar
E ao velho moribundo
Derramou grande pesar
É por essas e por outras
Que mereces a prisão
Espero que na cadeia
Tu aprendas a lição
Trate o próximo da gente
Sempre a como um irmão
Jesus conta essa história
Para todos ensinar
Que na vida se errarmos
Deus é bom pra perdoar
E nos pede que vivamos
Sempre prontos a amar
Nossa acusação é grave
Mas perdão nos dá de novo
Nosso coração antigo
Ele troca por um novo
Se o nosso amor esfria
Ele traz sempre renovo


terça-feira, janeiro 12, 2010

O Peso da Alma



"A minha alma tem o peso da luz.

Tem o peso da música.
Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita.

Tem o peso de uma lembrança.

Tem o peso de uma saudade.
Tem o peso de um olhar.

Pesa como pesa uma ausência.

E a lágrima que não se chorou.

Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."

(Clarice Lispector)

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Mostre-me o Amor

Mostre-me o amor,
Que é muito mais do que palavras
Que se manifesta no silêncio
Que se inicia no calor de um abraço
Num gesto simples e sincero

Mostre-me o amor,
Que vive além do sofrimento
Que suporta todo embaraço
Que sofre a contento
De ser apenas amparo

Mostre-me o amor,
Que não vive a contar o tempo
Que não se angustia na ausência
Mas que sente profunda saudade
Da pessoa a quem quer seu alento

Amor, que dá a vida
Sem nada esperar de volta
Que é singela harmonia
Oculta na sinceridade de um sorriso

Amor, que é fogo ardente
Chama de paixão e vida
Manifestada com nobreza
Em viver com humildade a cada dia

Mostre-me o amor,
Apenas com gestos e afagos,
Que não é vaidoso e nem descuidado
Com o intuito de ser apenas o amado
Dar mais do que um simples abraço

Mostre-me o amor,
Que vai muito além das canções,
Que é muito mais que emoções
Que representa desapego de si mesmo
Valorizando muito mais a vida

Mostre-me o amor,
Que da pequena criança sincera,
Não é escravo da razão séria,
Apenas tem razões desconhecidas a mente
Quer ser livre para brincar inocente

(Thiago Azevedo) 
Manga E Poesia 


sábado, dezembro 26, 2009

Canção Quase Inquieta

Canção Quase Inquieta
De um Lado, a eterna estrela
e do outro a vaga incerta,
meu pé dançando pela
extremidade da espuma,
e meu cabelo por uma
planície de luz deserta.
Sempre assim:
de um lado, estandartes do vento …
- do outro, sepulcros fechados.
E eu me partindo, dentro de mim,
para estar ao mesmo momento
de ambos os lados.
Se existe a tua Figura,
se és o Sentido do Mundo,
deixo-me, fujo por ti,
nunca mais quero ser minha!
(Mas, neste espelho, no fundo
desta fria luz marinha
como dois baços peixes,
nadam meus olhos à minha procura …
Ando contigo — e sozinha.
Vivo longe — e acham-me aqui…)
Fazedor da minha vida,
não me deixes!
Entende a minha canção!
Tem pena do meu murmúrio,
reúne-me em tua mão!
Que eu sou gota de mercúrio
dividida,
desmanchado pelo chão …
(Cecília Meireles, Flor de Poemas, 4. ed., 1972, p. 81)

sexta-feira, dezembro 25, 2009

Natal em cordel

Postei esse vídeo do Natal em cordel há algum tempo, achei ele tão bom que não aguentei esperar até hoje, mas como tudo que é bom não enjoa vamos relembrar esse vídeo tão criativo. Um presente do povo cearense para todos nós. Meus destaques para algumas falas que deveriam ser aprendidas por todos nós:
"Tu tá pensando que eu sou anjo paraguaio? "
"Deus quando fala, fala direito e toda promessa Dele é confirmada. Esse negócio de O Senhor mandou dizer sem confirmação é tudo furada..."


Que saudade de Deus

Que saudade de Deus


Que saudade de Deus
Quando ia sempre visitá-lo
No templo frio e isolado
E lhe dar um pouco de pipoca
Era um barato.

Que saudade de Deus
Quando era apresentado
Somente pelo sacerdote
Como próxima atração
Após a última canção.

Que saudade de Deus
Quando tinha que pagar
A entrada para ver
Ele, por meio da fé
Fazer sua incrível mágica.

Que saudade de Deus
Quando lia sua cartilha
De respostas prontas
Para todas as dúvidas
E os problemas que tinha.

Que saudades
Onde será que anda
O fujão Deus?
Pois vou ao templo
Ouço o sacerdote
Pago a entrada
E nada.

Encontro apenas uma carta
Escrita de punho e mão
E por ele assinada.

Esta carta diz
Fui a praça brincar
Com as crianças
Nelas há mais graça
Não espere eu voltar
Fui embora, adeus
assinado Deus.

Como fica agora?
Quem será a próxima atração
Quando tocar a última canção?

O jeito é ir à praça
Para junto de Deus
De mãos dadas
Com as crianças
Brincar, pular
E fazer pirraça
E nunca mais sentir saudades
De um Deus sem graça.

(Thiago Azevedo) 
Fonte: Manga e Poesia

terça-feira, dezembro 01, 2009

Dois anos do Descanso e presente para vocês


Bem aventurados os pacificadores, e o nosso irmão Thiago é um dos tais. Um paraense poeta, ou um poeta paraense, que é o editor dos blogs: Descanso da Alma e Manga e Poesia
O blog Descanso da Alma fez dois anos, e como não poderia ser diferente, o Thiago nos presenteia com o e-book das suas crônicas do último ano.

Eu como não sou boba, já baixei o meu e posso assegurar que é uma leitura imperdível.
Então para quem gosta de boa leitura deixo aqui o link para que você possa baixar o e-book Crônicas da Alma:

Clique aqui para fazer o Download

sábado, maio 02, 2009

Pausa para a Poesia



POEMINHO DO CONTRA
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
Mario Quintana