www.gersonborges.comTem muita coisa boa nisso tudo que temos visto e OUVIDO por aí …. E tem muita coisa absolutamente desnecessária, descartável, lixo religioso mesmo, sem medo de soar arrogante e presunçoso. Não preciso argumentar ou provar nada: peguem e ouçam . Falo de um ponto de vista teológico-espiritual ( conteúdo bíblico, coerência com o histórico ensino bíblico cristão , reformado e evangélico ) , de um ponto de vista estético ( melodias óbvias, harmonias do tipo ctrl+c, crtl+ v , letras de mau-gosto , ou seja , as formulas repetitivas dos clichês , clichês e mais clichês) É : o BUSINESS tomou conta e as gravadoras seculares apostam no ” Gospel ” como a salvação da bancarrota fonográfica na era da pirataria e do download ilegal. ” Você adora, a Som livre vende “. Argh… Ricardo Barbosa está certíssimo : ” Quem define o que cantamos no domingo são os executivos das gravadoras”.Essa semana, Hans Kung me acordou com um soco : “Será que tudo isso é ” Cristão” ? Só se for em um sentido tradicional, superficial, falso (…) nada disso é ” Cristão ” no sentido mais profundo, verdadeiro, original da palavra. Nada disso é verdadeiramente cristão : nada tem a ver com Cristo, em cujo nome se baseia.” ( Por que ser cristão hoje? , Ed Verus, p. 21 ) Parafraseando, nada disso, esse mercantilismo, essa macdonaldizacao do culto comunitário, esse louvor fast-food, essa droga de música e essa música-droga, ópio do povo ( basta ver quem são os principais consumidores desses cds, dvds e shows…), isso NÃO É MÚSICA EVANGÉLICA. Tudo o que for genuinamente evangélico tem de dar na forma e no conteúdo UMA BOA NOTICIA. Da parte de Deus. Isso , essa música banal, não tem (a) Beleza, isso não tem (a) Verdade. Isso não anuncia a Graça de Deus e o Deus da Graça, isso não está à serviço e à favor dos valores do Reino de Deus, isso não prega Jesus Crucificado, isso não pastoreia e edifica a sua Igreja. Isso é coisa de Mamom, é ” Dança ao redor do Bezerro de Ouro ” ( Eugene Peterson ).Música ( e arte ) Evangélica deveriam trazer consigo SABEDORIA. Isso, arte-sabedoria, foi magistralmente sintetizado por Harold Bloom: ” esplendor estético, força intelectual e as nossas necessidades de beleza, verdade e discernimento. ” ( Onde encontrar a sabedoria ? ( Ed. Objetiva, p. 13 ) Encontro essa sabedoria nos Salmos, nos Hinos Protestantes, das letras esplendidas de Guilherme Kerr, Sergio Pimenta e Stênio Marcius.Música ( e arte ) Evangélica deveriam trazer consigo POESIA. Poesia é susto, invenção, novidade genial, artimanha e engenhosidade criativa. Poesia, saibam os senhores, é muito mais que rimas. Poesia é olhar a vida com olhos de criança, olhos de Deus: ” Talvez o amor e a natureza foram desde muito cedo as jazidas da minha poesia”, escrever Pablo Neruda ( Confesso que vivi - memórias , Ed. Difel, p. 12 ) Poesia evangélica ? Adélia Prado responde:” Pensava assim:Se a cama for de ferro e as panelas,o resto Deus provê:é nuvem, sonho, lembranças . ”( Terra de santa Cruz, Ed. Record, p. 43 )Eu sei que corro perigo aqui. Por isso recorro a Ferreira Gullar: ” Não pode nenhum poeta - nem ninguém ter a pretensão de estabelecer regras e rumos para a poesia (…) a produção do poema é absolutamente impossível de prever-se. ” ( Sobre arte, sobre poesia, Ed. José Olympio, p. 157 ) Mas que a poesia da canção Evangélica requer a leveza, a originalidade e a profundidade das Parábolas de Jesus, poemas de ouro, maravilhas teológicas e literárias, ah, isso requer e não tem conversa. Encontro essa poesia nas letras subversivamente cristãs de Gladir Cabral e Paulo Nazareth ( Crombie ).A verdadeira Música Evangélica é PARA A IGREJA E ( sobretudo ) PARA O MUNDO, A CULTURA. Pode(ria) e deve(ria) ser cantada, entoada à boca grande em todo e qualquer lugar. É como as palavras do Eclesiastes, O Livro de Jó, as Doxologias de Paulo: poemas. Verdade de Deus, tesouro do Homem. Pode ser bíblica sem citar a Bíblia? Pode. Deve. Precisa! Feito o livro de Ester, um livro cujo autor não cita Deus, a oração ” como artificio literário que visa a ressaltar o fato de que Deus é quem controla é dirige coincidências aparentemente insignificantes “, como sacou Raymond Dillard ( Bíblia NVI de estudo, Ed. Vida, p. 793 ) Palavrantiga, que banda maravilhosa! Qualquer um um pode ouvir Carlinhos Veiga, Roberto Diamanso, Carol Gualberto, Jorge Camargo, Diego Venâncio , Glauber Plaça…A verdadeira Música Evangélica é TRINITÁRIA : dialoga, convida, respeita o outro, compartilha, convida à Comunhão, sai do Eu, vai pro Nós ou insiste no Eu-Tu, como nos ensinou Martim Buber, filosofo judeu. A música que ouço por aí se dizendo evangélica ” formulou , nas palavras sempre surpreendentes de Eugene Peterson, ” uma nova trindade, que define o ’ eu ’ como o texto soberano para a vida (…) Pai, Filho e Espirito Santo são substituídos por uma trindade pessoal , muito individualizada , composta por meus desejos santos, minhas necessidades santas e meus sentimentos santos “. ( Maravilhosa Bíblia, Ed. Mundo Cristão, p. 47 ) Ju Bragança, Tiago Vianna, Elly Aguiar, Silvestre, Denis Campos me convidam a adorar ao Pai por meio do Filho no poder do Espírito!A verdadeira Música Evangélica é, como toda arte, pequena ou grande, popular ou erudita, uma DÁDIVA. Sim, ” toda obra de arte é uma doação, não uma mercadoria. As obras de arte existem simultaneamente em duas economias: a economia do mercado e a economia da doação. (…) uma obra de arte é capaz de sobreviver sem depender do mercado, mas quando não há doação não há obra de arte (…) a arte que importa para nós - a arte que toca o coração, que enleva a alma, deleita nossos sentidos, essa obra é sempre recebida como um presente. “ ( Lewis Hyde, A dádiva: como o espírito criador transforma o mundo, Ed. Civ. Brasileira, p. 13,14 )Sim, meus caros e afetuosos amigos, eu quero ( continuar a ) fazer Música Evangélica. Será que me enquadro nesse parâmetros que a minha consiência e integridade me apontam? Poderemos resgatar das ruínas esse adjetivo tão precioso, enfiado na lama dessa industria religiosa?
Gerson Borges é pastoreador: pastor evangélico, poeta/musico e educador.
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sábado, junho 04, 2011
A verdadeira Música Evangélica
quarta-feira, maio 04, 2011
sábado, abril 30, 2011
Deus Não Nos Livre de um Brasil Evangélico
Uma primeira constatação é que estamos ainda distantes de ser um “país evangélico”: quarenta milhões da população é formada por miseráveis; uma insegurança pública generalizada; uma educação pública de faz-de-conta; uma saúde pública caindo aos pedaços, assim como as nossas estradas, a corrupção endêmica no aparelho do Estado, o consumo da droga ascendente, prostituição, discriminação contra os negros e os indígenas, infanticídio no ventre, paradas de orgulho do pecado, uma das maiores desigualdades sociais do mundo. Uma grande distância do exemplo de vida e dos ensinamentos de Jesus de Nazaré, cujas narrativas e palavras somente conhecemos por um livro chamado de Bíblia, que o mesmo citava com frequência, e que foi organizado por uma entidade fundada pelo próprio: uma tal de Igreja. Uma grande distância da ética e da “vida abundante” apregoada pelas Boas Novas, o Evangelho.
Percebemos sinais do sagrado cristão em nossa História e em nossa Cultura, mas, no geral, ficando na superfície. Se os símbolos importassem tanto, o Rio de Janeiro, com aquela imensa estátua do Cristo Redentor, deveria ser uma antecâmara do Paraíso.
Como cidadão responsável, e como cristão, como eu gostaria que o meu País fosse marcado pela justiça, pela segurança, pela paz, fruto do impacto das Boas Novas, do Evangelho. Sinceramente, gostaria muito que tivéssemos um Brasil mais evangélico.
Fico feliz que Deus não tenha nos livrado da imigração dos protestantes alemães, suíços, japoneses, coreanos, e tantos outros. Fico feliz pelo seu trabalho e por sua fé.
Fico feliz por Deus não nos ter livrado do escocês Robert R. Kalley, médico, filantropo e pastor escocês, fugindo do cacete na Ilha da Madeira (Portugal), pioneiro da pregação do Evangelho entre nós, nos deixando as igrejas congregacionais. Ele nem era norte-americano, nem fundamentalista, pois esse movimento somente surgiria meio século depois. Eram norte-americanos, e também não-fundamentalistas os pioneiros das igrejas presbiteriana, batista, metodista e episcopal anglicana que vieram ao Brasil na segunda metade do século XIX.
Fico feliz por Deus não nos ter livrado desses teimosos colportores que varavam os nossos sertões sendo apedrejados, vendendo aquelas Bíblias “falsas”, cuja leitura, ao longo do tempo, foi tirando gente da cachaça e dos prostíbulos, reduzindo os seus riscos de câncer de pulmão, cuidando melhor de sua família, como trabalhadores e cidadãos exemplares.
Fico feliz por Deus não ter nos livrado desses colégios mistos, desses colégios técnicos (agrícolas, comerciais e industriais), trazidos por esses missionários estrangeiros, em cujo espaço confessei a Jesus Cristo como meu único Senhor e Salvador. E, é claro, tem muita gente agradecendo a Deus por não nos ter livrado do voleibol e do basquetebol introduzido pioneiramente nesses colégios… nem pelo fato do apoio à Abolição da Escravatura, à República ou ao Estado Laico.
Por essas e outras razões, é que vou comemorar (com uma avaliação crítica) com gratidão, dentro de seis anos, os 500 anos da Reforma Protestante do Século XVI, corrente da Cristandade da qual sou militante de carteirinha desde os meus dezenove anos.
Essa gratidão ao Deus que não nos livrou dos protestantes de imigração e dos protestantes de missão, inclui, sinceramente, os protestantes pentecostais, herdeiros daquela igreja original, dirigida por um negro caolho (afro-descendente portador de deficiência visual parcial, na linguagem do puritanismo de esquerda, conhecido por “politicamente correto”)…, mas que abalaria os alicerces religiosos do mundo. Eu mesmo sou um velho mestiço brasileiro e nordestino, e não me vejo como um ítalo-luso-afro-ameríndio de terceira idade…
Olhando para o termo “evangélico”, usado sistematicamente na Inglaterra, a partir de meados do século XIX, como uma confluência da Reforma e de alguns dos seus desdobramentos, como o Confessionalismo, o Puritanismo, o Pietismo, o Avivalismo e o Movimento Missionário, com paixão missionária pelo Evangelho que transforma, dou graças a Deus que Ele não nos tenha livrado da presença dos seus seguidores e propagadores. Até porque, por muito tempo, não tivemos presença fundamentalista (no sentido posterior) e nem do liberalismo, pois esses últimos são bons de congressos e revoluções de bar, mas não muito chegados a andar de mulas por sertões nunca antes trafegados…
Minha avó é quem dizia que “toda família grande vira mundiça”, se referindo ao fato de que quando qualquer instituição, grupo ou movimento social cresce, é inevitável que ao lado do crescimento do trigo haja um aumento significativo do joio. Nesse sentido, o protestantismo e o evangelicalismo brasileiro são normais (com desvios e esquisitices), mas, garanto que temos muitíssimo mais trigo (às vezes armazenados nos celeiros, quando deveriam estar sendo usados nas padarias). No meu tempo só tinha crente militante e desviado; depois apareceram os descendentes, os nominais, os de IBGE, os bissextos e os ocasionais.
No sentido histórico dou graças a Deus pelo localizado movimento fundamentalista nos Estados Unidos, em reação ao racionalismo liberal, pois também afirmo a autoridade das Sagradas Escrituras, o nascimento virginal, a cruz expiatória, o túmulo vazio e a volta do Senhor. Depois o termo foi distorcido por um movimento sectário, antiintelectual, racista, e hoje é aplicado até ao Talibã, em injustiça à proposta original
Quanto ao Tio Sam, nem todo republicano é evangélico, nem todo evangélico é republicano, embora, de época para época, haja deslocamentos religiosos-políticos naquele país. Eu mesmo não tenho muita simpatia (inclusive aqui) pelo Partido do Chá (Tea Party), pois tenho longa militância no Partido do Café e no Partido do Caldo de Cana com Pão Doce.
A Queda do Muro de Berlim assinalou o ocaso da modernidade e o início de uma ainda confusa pós-modernidade, com a mundialização da cultura anglo-saxã, no que tem de bom e no que tem de mau, mas, como nos ensina Phillip Jenkins, a Cristandade está se deslocando do hemisfério Norte para o hemisfério Sul, e, inevitavelmente, revelamos nossas imaturidades, que devem e podem ser superadas.
Agora, todo teólogo, historiador ou sociólogo da religião sérios, perceberá a inadequação do termo “protestante” ou “evangélico” (por absoluta falta de identificação caracterizadora) com o impropriamente chamado “neo-pentecostalismo”, na verdade seitas para-protestantes pseudo-pentecostais (universais, internacionais, mundiais, galáxicas ou cósmicas), e que é algo perverso e desonesto interpretar e generalizar o protestantismo, e, mais ainda, o evangelicalismo brasileiro, a partir das mesmas.
O avanço do Islã e a repressão aos cristãos onde eles dominam é um “óbvio ululante”, a defesa da vida em relação ao aborto, à eutanásia, aos casais que não querem ter filhos, ao homossexualismo, o atentado ao meio ambiente (“cultura da morte”) é coerente com o princípio da Missão Integral da Igreja na “defesa da vida e da integridade da criação”.
A identidade evangélica se faz por um rico conteúdo e não por antagonismo ou relação reativa a conjunturas.
Sabemos que o mundo jaz do maligno, que o evangelho será pregado a todo ele, mas não que todos venham a se converter, e que descendentes de cristãos nem sempre continuam nessa fé. Assim, o Brasil nunca será um País totalmente cristão, protestante ou evangélico, mas creio que será bem melhor com uma Igreja madura que, sem fugas alienantes, adesismos antiéticos ou tentações teocráticas, possa “salgar” e “iluminar” com os valores do Reino.
Para isso necessitamos (na lícita diversidade protestante quanto a aspectos secundários e periféricos) de líderes sólidos e firmes, vestindo a camisa do nosso time com entusiasmo e garra para o jogo, sem se perderem em elucubrações estéreis, de quem já perdeu a fé na Palavra, não acredita mais na Queda, nem na Redenção, nem na singularidade de Cristo, deixando uma geração órfã de heróis.
Assim, espero que Deus não nos livre dessa presença cultural transformadora; que Deus não nos livre de ser, cada vez mais, um País evangélico.
A Ele, Onipotente, Onisciente e Onipresente, Senhor do Universo e da História, com os anjos e arcanjos, coma Igreja Triunfante e a Igreja Militante, intercedendo por todos que atravessam crises espirituais, seja toda a honra e toda a glória!
sábado, outubro 02, 2010
LIMITES ESTREITOS DA ÉTICA EVANGÉLICA BRASILEIRA
De igual modo, muitos dos nossos pastores terão que, antes de denunciar os pecados dos de fora, aprender a se desfazer das jóias de ouro que ostentam, dos ternos caríssimos que exibem, dos carros luxuosos que dirigem e padrão de vida endossado por uma teologia que, só serve para justificar a riqueza dos profetas de causa própria, enquanto uma massa de crentes é mantida no padrão social mais baixo do país. Igualmente, convém proclamar, que envergonham os céus, campanhas para levantamento de ofertas que fazem tropeçar todo e qualquer brasileiro que tem cérebro, uma vez que apelam para a ignorância e crendice, num contexto de total falta de transparência da administração financeira das contas de suas instituições.
Há certos temas que são recorrentes na maior parte dos púlpitos brasileiros. Percebe-se a igreja, por exemplo, bastante preocupada com a pedofilia, a lei da homofobia, o aborto, a pornografia, o divórcio. Por motivo de integridade intelectual, não se pode crer no Novo Testamento e menosprezar esses assuntos. A liberdade de expressão, os direitos da criança, a santidade da vida humana, a pureza sexual e a importância do matrimônio são valores inegociáveis do cristianismo. Teme-se que -se essas iniquidades não forem combatidas pela igreja-, Deus julgará o seu povo.
Temos motivos, de fato, para nos preocupar. Porém, muito mais amplos do que o que inquieta a maior parte da igreja. Por que? Porque essas não são as únicas transgressões que a Bíblia denuncia e condena. Há iniquidades, tão graves quanto as supramencionadas -que passam despercebidas por aqueles cujos nomes constam no rol de membros das igrejas brasileiras-, e presentes de modo histórico, disseminado e crônico no Brasil.
Não se menciona nos nossos púlpitos a desigualdade social, o homicídio, as péssimas condições de moradia do pobre, a superlotação dos presídios, os salários baixos, a fome, a condição precária dos nossos hospitais, a falta de acesso a educação de qualidade. Como pensar que seremos julgados por Deus pela prática daqueles pecados e não destes? O fato de uns estarem em vias de ser institucionalizados e outros não, não faz diferença, pois jamais houve o caso de um povo ser justificado diante de Deus pela beleza da sua legislação. A lei sem obras é morta.
Tem que ser igualmente enfatizado que -o juízo de Deus começa pela sua casa. O que falar dos que dizem representar os interesses da igreja nas assembléias legislativas estaduais e Congresso Nacional, eleitos com o voto do crente, em campanhas realizadas no horário do culto a Deus? Alguns são reputados como os mais reacionários, vaidosos, alienados, corruptos que se tem notícia. Como deixar de fazer menção das igrejas que lavam dinheiro? Como não mencionar os pastores que deixam suas congregações se transformarem em currais eleitorais de canalhas, em troca de concessão de rádio, aparelhagem de som, legalização de propriedade e tijolo para construir templo?
Não podemos deixar de deplorar as grandes mobilizações -marchas ufanistas-, capazes de levar milhares para as ruas, para nada, absolutamente nada. Pessoas são assassinadas aos milhares nas cidades brasileiras, dinheiro público escoa pelo bueiro da corrupção, metade da população habita em bairros sem rede de esgoto, e a igreja se reúne em número incontável, nas principais cidades do Brasil, sem anunciar que está indo para as ruas a fim de combater essas provocações à santidade de Deus. Qual o motivo de uma passeata pelos direitos e garantias fundamentais do povo brasileiro jamais ter sido realizada pela igreja? A preocupação com a vida, no seu sentido mais amplo, não está presente nos corações dos seus membros, uma vez que estes encontram-se completamente alheios à obscenidade da violação dos direitos humanos, muitas vezes perpetrada pelo próprio Estado.
Deixaremos de denunciar as nossas instituições de ensino teológico, muitas das quais, ensinam o exato oposto proclamado pelas Escrituras Sagradas, sem ter quem faça oposição?
De igual modo, muitos dos nossos pastores terão que, antes de denunciar os pecados dos de fora, aprender a se desfazer das jóias de ouro que ostentam, dos ternos caríssimos que exibem, dos carros luxuosos que dirigem e padrão de vida endossado por uma teologia que, só serve para justificar a riqueza dos profetas de causa própria, enquanto uma massa de crentes é mantida no padrão social mais baixo do país. Igualmente, convém proclamar, que envergonham os céus, campanhas para levantamento de ofertas que fazem tropeçar todo e qualquer brasileiro que tem cérebro, uma vez que apelam para a ignorância e crendice, num contexto de total falta de transparência da administração financeira das contas de suas instituições.
As afrontas a Deus em nossa nação e na igreja são mais amplas e sérias do que pensamos. Temos provocado a Deus. Por isso, o desrespeito da população brasileira pela igreja, o desprezo pela função do pastor, a falta de interesse dos meios de comunicação pelo que essa igreja pensa. Perdemos a credibilidade. Setores inteiros da nossa sociedade não conseguem se imaginar presentes em cultos barulhentos, onde não se fala coisa com coisa e dirigidos por homens de vida dúbia.
As maiores ofensas a Deus que ocorrem na nossa nação, só serão combatidas pela igreja, quando esta deixar de agir de modo espasmódico, ingênuo, estreito, superficial. Esses batalhas não se vencem sem evangelização que prega arrependimento para com Deus e fé em Jesus Cristo, oração, protesto nas ruas, busca de informação, pressão sobre as três esferas de poder da república, entre outras ações mais, tão ausentes da praxis das igrejas do nosso país. Somos protestantes. Atrás de nós, há uma legião de homens e mulheres que, por crerem no que creram, protestaram.
Enquanto nossa mensagem for determinada por uma pregação estranha às reais demandas morais e espirituais do Brasil, carente de relevância, pobre de pertinência histórica, falta de discernimento dos tempos e privada de fidelidade às Escrituras, continuaremos a deixar de pregar sobre aquilo que tão extensamente encontramos nos textos proféticos da Bíblia, e que seria proclamado com clareza, paixão e ousadia por qualquer profeta do passado que estivesse em nosso lugar -homens que costumavam ser valentes não apenas dentro do templo-, mas nos locais onde a verdade referente às demandas do direito e da justiça tinham que fluir como um grande e caudaloso rio.
Ministro do evangelho e presidente do movimento Rio de Paz
quinta-feira, setembro 30, 2010
VENTO LESTE DA MISERICÓRDIA
"... Sede pacientes na tribulação...".
Essa é a recomendação bíblica. Nas horas em que o cosmos parece se voltar contra nós, não podemos permitir que as circunstâncias adversas da vida nos roubem a paz. Qual a razão de ser dessa injunção, tão claramente ensinada em diversas passagens das Escrituras?
1. A tribulação é como uma tempestade. Vem e passa. Amigo, vai passar. Aguarde.
2. O amor de Deus também está presente nos vendavais que passam pela nossa vida. Quem disse que toda essa sorte de sofrimento é completa maldição: mal do qual não se pode tirar nenhum bem?
3. O que adianta nos rebelarmos contra o que Deus decretou? Como mudar o curso da providência? E, se nos fosse possível, seria sábio fazê-lo? Teria sido bom para José poder ter evitado a sua venda como escravo para o Egito? Valeria a pena, deixarmos de ser governados por um ser onisciente, todo-poderoso, santo e que tudo faz para a felicidade do seu povo e glória do seu nome?
Portanto, o que nos cabe fazer nas tribulações?
1. Orar. A oração arruma a vida mental, nos traz serenidade e faz-nos ver a vida pela perspectiva do otimismo-realista da fé.
2. Buscar a solidariedade humana. A simpatia de um irmão em Cristo, pode representar o sorriso de Deus para a nossa vida.
3. Evitar tomar decisão que vai afetar radicalmente o futuro da vida, sem que estejamos no melhor da nossa condição emocional e espiritual. Nessas horas sentimo-nos tentados a decidir, muitas vezes movidos pelo desejo inconsciente de fugir da fonte de sofrimento.
4. Fugir de toda autocomiseração. Falo sobre, ficar com pena de si mesmo. Quem sabe, até ao ponto de buscar consolo no pecado.
5. Aplicar a fé. A fé nunca age automaticamente. Tem que ser aplicada na nossa vida. O que vai representar sempre, a capacidade de aplicarmos o que sabemos ser verdadeiro às circunstâncias adversas da nossa dura, curta e incerta existência.
Essa é uma mensagem simples. Que estou pregando para mim mesmo, antes de tentar pregá-la para você. Essa semana está difícil. Sinto saudade de Deus. Vontade de parar tudo, ir para algum mato e ficar na presença do meu divino prazer.
A razão? Nada desesperador. Longe do que muitos irmãos de fibra estão passando, sem ceder um milímetro sequer ao mal. Sei que tudo poderia ser pior. Detesto o pecado da murmuração. Não tenho esse direito. Olho para o lado e sei que não posso chorar. Falo de agenda cheia, falta de recursos para o ministério, carência de gente disposta a trabalhar, noites mal dormidas, decisões difíceis de tomar, espanto em razão do meu contato diário com a estupidez humana, perplexidade face à futilidade de quase tudo que é feito debaixo do sol, dificuldade de regular o tempo, falta de respostas para problemas concretos, ingratidão humana, sofrimento de pessoas que me são próximas, crises crônicas de sinusite, luta contra o pecado, dificuldade de encontrar igrejas que encantem.
A lista de benção é muito mais extensa. É como sair da tenda com Abraão e tentar contar as estrelas. Mas, quem disse que a fé nos impede de sentir o calor da travessia, ter calo nos pés, ansiar por sombra, experimentar sede e desejar cruzar o Jordão para chegar em casa?
Um consolo para nós dois: percebo na experiência de muitos santos de Deus, bem como na minha própria vida, que períodos de grandes bençãos costumam ser antecedidos por grandes lutas e tentações. O que será que Deus está reservando para você e para mim?
Desde a minha infância, por causa da ligação com o mar, todos os dias fico atento ao vento. Aqui no Rio, quando sopra o sudoeste, todos sabemos que vem ressaca, frio e chuva. Quase que invariavelmente, acontece depois de alguns dias, de soprar um vento que vem de Niterói, o chamado vento-leste, que limpa o céu, traz o sol e aquieta o mar progressivamente. As noites, depois dos dias de sudoeste, são as mais belas e estreladas. O mar, bem mais azul. As montanhas, mais verdes. Pode-se ver ao longe, da Baía da Guanabara, a beleza da serra. Esses dias são os mais límpidos. A vida é de sudoestes e lestes.
Será que o vento leste da misericórdia, não está prestes a lançar para longe as nuvens grossas que o sudoeste da tribulação trouxe, a fim de que tenhamos a noite mais estrelada da história da nossa vida?
Somos crentes. Não vamos precisar matar a promessa. Deus proverá.
sábado, julho 31, 2010
Nome
Melhor é o longânimo do que o herói da guerra, e o que domina o seu espírito, do que o que toma uma cidade. Pv 16.32
Contra o que lutamos? Contra nós mesmos.
Daí, melhor a paciência para com o outro:
É treinamento para autodomínio.
O que precisamos conquistar? A nós mesmos.
Daí, melhor dominar o próprio espírito!
Quando a gente muda, uma parte do mundo muda com a gente.
Há os sinalizadores e os voluntariosos:
Os sinalizadores esperam e apontam caminhos.
Eles se conquistaram porque sabem do jeito de viver.
Deus existe: há um jeito certo de viver.
Os voluntariosos só têm tempo para si, para a sua vontade.
Até podem vencer guerras, mas não a principal: consigo mesmo.
Há dois Enoques na Bíblia:
Um herdou uma cidade que lhe era homônima.
A gente não sabe quanto ele viveu.
Sua família, para não mais voltar, saiu da presença de Deus,
Sua família quase levou o mundo a destruição.
O outro era da família que invocava a Deus…
Sabemos quanto tempo e como viveu.
Ele e toda a sua família:
É que só é contado o dia vivido diante de Deus!
Ele andava com Deus… E tanto! Que Deus o tomou para si!
O primeiro dominava uma cidade, o segundo se dominava.
Nome: todos tem um.
Alguns pensam que o nome o fará, e mudam de nome para mudar.
Nome é a gente que faz, com a vida que vive.
Um dia, porém, Deus mudará o nome de todos os que foram tornados seus:
Para o nome que conosco construiu.
Nome: cada um terá o seu!
Fonte: Blog do Autor.
sexta-feira, julho 30, 2010
SANTOS E AMADOS
SANTOS E AMADOS
As minhas grandes referências na história são aqueles que conseguiram harmonizar ortodoxia com ortopraxia. Foram fiéis à doutrina tanto no que ensinaram quanto na forma com viveram o cristianismo. Não tenho interesse em pensador cristão supostamente brilhante e carnal.
Hoje em dia tenho grande admiração por John Stott, que como poucos soube harmonizar compromisso com a evangelização com compromisso com a defesa dos direitos humanos. Aprecio a integridade intelectual de R.C. Sproul. Creio que o trabalho de Tim Keller, à frente da Redeemer Presbyterian Church, em Nova Iorque, é uma referência de fidelidade às Escrituras associada à capacidade de se comunicar com o homem pós-moderno, e tudo isto dentro de uma proposta de igreja na qual a missão integral é respeitada.
Conheço um número imenso de anônimos que vivem um cristianismo bonito, cheio de fé, amor pelos perdidos e coragem. Alguns destes tenho podido ver na minha própria igreja. Rapazes e moças, que a despeito das suas dores pessoais, estão em favela e presídio lutando pelos direitos humanos e levando a fé cristã; e nas ruas, clamando contra a imoralidade das mortes violentas.
Tenho grande admiração por gente que consegue conjugar doçura com coragem, interesse por Deus com interesse pelo próximo, fervor missionário com compromisso com direitos humanos, zelo pela doutrina com amor a Deus.
Tenho grande admiração por gente que consegue conjugar doçura com coragem, interesse por Deus com interesse pelo próximo, fervor missionário com compromisso com direitos humanos, zelo pela doutrina com amor a Deus.
A.C. Costa
terça-feira, julho 27, 2010
Uma ovelha fala da vida no rebanho
Uma ovelha fala da vida no rebanho
por: Ariovaldo Ramos
O nosso dono é o meu pastor, ele não terceirizou o nosso apascentamento, ele mesmo cuida de tudo e eu não preciso de mais nada.
O movimento de nosso pastor é me levar a descansar. Ele nos coloca num pasto estourando de verde, e eu como daquela abundância! Mas, miraculosamente, contrário ao que me seria natural, ao invés de comer, vorazmente, até consumir a própria raiz da relva toda, eu como a me saciar e deito-me em completo descanso. Nosso pastor me faz compreender que não preciso me desesperar, sempre haverá alimento para nós.
Aí, ele nos leva para tomar água, e como eu sou estabanada, e qualquer movimento me leva a perder o equilíbrio, ele me leva a um lugar especial: não é água parada, então, não corro o risco de contrair nenhuma enfermidade; e, também, não são águas corredeiras, então, não corro o risco de ser arrastada pela correnteza; são águas tranqüilas, e, nesse estado de descanso, me dessedento tranquilamente, sabendo que não serei atacada enquanto me inclino para beber, porque o nosso pastor cuida de mim.
Eu vou com o nosso pastor por qualquer caminho. Eu me deixo conduzir! Não saio do estado de descanso, porque o nosso pastor escolhe sempre o melhor caminho... É uma questão de honra para ele!
Mesmo quando eu não consigo ver um palmo a frente do nariz, quando o caminho está coberto por uma sombra que parece cobrir qualquer luz, e percebo que a própria morte me espreita, e que é um caminho estreito, escorregadio, perigoso, que basta resvalar uma das patas para precipitar-me desfiladeiro abaixo... Eu não tenho medo! O nosso pastor está comigo e me protege: ele tem como, eficazmente, me puxar, se eu ameaçar cair; e eu sei que ele, pronta e precisamente, tocará na pata que estiver a ponto de escorregar e terei como endireitar o meu passo. Isso me consola em meio a essa escuridão, e permaneço em estado de descanso.
E quando lobos, leões, ladrões e mercenários se aproximam... Prontos para o ataque! O nosso pastor, ao invés de sair afugentando-os, prepara um banquete para mim, e continuo a desfrutar do descanso, da paz e de alegria, como de um copo a transbordar! Fica claro, para mim, que os meus inimigos não têm como me alcançar. O nosso pastor é uma barreira intransponível!
Eu quero ficar para sempre nesse rebanho! Aqui eu desfruto da bondade e da misericórdia do nosso dono e pastor. E o nosso pastor me garante que ficarei sempre aqui, com ele, desfrutando desse descanso promovido por sua bondade e misericórdia. Ele nunca vai embora... Ele mora conosco... Melhor! Ele mora em nós e nós nele! Nós somos a casa dele, e ele a casa da gente!
P.S. Talvez você me pergunte: Como é isso? Você fala de ser pastoreado por um pastor único e incomparável, e fala na primeira pessoa do singular, quando sabemos que um pastor apascenta rebanho e não, individualmente, a cada ovelha. Eu respondo: certa vez uma ovelha doutro rebanho qualquer, a observar como o nosso rebanho se movia em bloco, aproximou-se e me questionou sobre como a gente o conseguia. Eu lhe disse que era por causa de nosso pastor, nós o ouvíamos e o obedecíamos. Ela retrucou: Mas eu não consigo ver o seu pastor! E eu expliquei: é que o nosso pastor mora em nós! Nós estamos em rebanho, e o sabemos, mas, como ele mora em nós, embora ele fale a todas, cada uma de nós o ouve como se ele estivesse falando a cada uma de nós, de modo exclusivo. E sabe de uma coisa? Ele o está! De jeito inclusivo ele está falando de forma exclusiva a cada uma de nós. O nosso pastor é assim: nos mantém em unidade enquanto sustenta, em cada uma de nós, a particular identidade!
Fonte: Ariovaldo Ramos, Blog
quinta-feira, julho 22, 2010
Pergunte ao Pastor 4: MEDICINA INTEGRAL
MEDICINA INTEGRAL
Pastor Antônio, quando lido com os meus pacientes, tenho em mente que devo fortalecer sua realidade interna com esperança. Que textos bíblicos você citaria para a pergunta: doutor, eu vou morrer?
Caríssimo doutor Marco Antonio, tudo dependerá do contexto. Quem é aquele para quem você está se dirigindo? Qual o seu quadro clínico? Em que idade se encontra? Qual sua relação com o cristianismo?
Algumas pessoas podem ser estimuladas a crer na cura. Por que não? Não estou dizendo que algumas pessoas devem ser encorajadas a crer que serão curadas, mas que a cura pode acontecer mediante a fé em Cristo. O cristianismo chegou até aqui por causa dessas respostas à oração, que revelaram a realidade da fé em Cristo.
Caríssimo doutor Marco Antonio, tudo dependerá do contexto. Quem é aquele para quem você está se dirigindo? Qual o seu quadro clínico? Em que idade se encontra? Qual sua relação com o cristianismo?
Algumas pessoas podem ser estimuladas a crer na cura. Por que não? Não estou dizendo que algumas pessoas devem ser encorajadas a crer que serão curadas, mas que a cura pode acontecer mediante a fé em Cristo. O cristianismo chegou até aqui por causa dessas respostas à oração, que revelaram a realidade da fé em Cristo.
Há aquelas, que devido ao quadro clínico, idade e outros fatores mais, parecem estar próximas mesmo da morte, como se a providência divina estivesse a emitir sinais claros de que elas vão morrer. Sendo crentes, nada mais as consolará do que saber que um Deus sábio e cheio de amor, decretou na eternidade, o tempo de vida de cada ser humano na terra (Sl 139). Falar do descanso eterno do santos e do que nos aguarda nesse país onde a glória de Deus habita, haverá trazer consolação que não pode ser encontrada em nenhum outro lugar (Ap 21 e 22). David Brainerd, missionário americano, morreu perguntando a Deus: "por que a carruagem tarda?" Ele queria partir para estar com Cristo, porque contemplara o céu.
No caso do incrédulo, essa hora pode se configurar como a -oportunidade do governo gracioso e providencial de Deus-, de essa mesma pessoa ter um encontro com aquele do qual fugiu a vida inteira. Há aqueles que haverão de viver a mesmíssima experiência de um dos ladrões que morreu ao lado de Cristo: salvos no fim da vida (Lc 23: 39-43).
No caso do incrédulo, essa hora pode se configurar como a -oportunidade do governo gracioso e providencial de Deus-, de essa mesma pessoa ter um encontro com aquele do qual fugiu a vida inteira. Há aqueles que haverão de viver a mesmíssima experiência de um dos ladrões que morreu ao lado de Cristo: salvos no fim da vida (Lc 23: 39-43).
Que Deus continue lhe dando graça para exercer a medicina integral, que cuida do ser humano na totalidade da sua vida, a fim de que todos os seus pacientes percebam a singularidade de sua vida, mediante o tratamento singular do seu médico. Rogo a Deus, que você persevere na preocupação com aquele que recebeu notícia capaz de desconjuntar o maior valente. Como que essa gente precisa da nossa misericórdia! Nesse quadro de dor e aparente desamparo da vida, somos postos perante a condição frágil da existencia humana. Que modo -em muitas ocasiões súbito- de ser revelada a insensatez da nossa independência em relação àquele por cujo poder somos mantidos vivos.
A sabedoria divina, contudo, é revelada em aparente crueldade da providência, uma vez que o Criador, -que não tem prazer na morte do pecador-, dá o tratamento que precisa ser dado àqueles que, somente são curados na alma, quando adoecem mortalmente no corpo.
A sabedoria divina, contudo, é revelada em aparente crueldade da providência, uma vez que o Criador, -que não tem prazer na morte do pecador-, dá o tratamento que precisa ser dado àqueles que, somente são curados na alma, quando adoecem mortalmente no corpo.
Antônio C. Costa
quarta-feira, julho 14, 2010
Igreja
Igreja
por Ari
Igreja é um lugar onde o Pai se sente em casa,
Onde é adorado pelo que é e não pelo que pode,
Onde é obedecido de coração e não por constrangimento,
Onde o seu reino é manifesto no amor, na solidariedade, na fraternidade e serviço ao outro,
Onde o ser humano se perceba em casa e seja a casa de Deus e do outro,
Onde Jesus Cristo é o modelo, o desejo e o caminho,
Onde a graça é o ambiente, o perdão a base do relacionamento e o amor a sua cimentação.
Onde o Espírito Santo está alegre pela liberdade que desfruta para gerar e expressar a Cristo,
Onde Ele vê os seus dons serem usados para edificar, provocar alegria e servir ao próximo,
Onde todos andam abraçados,
Onde a dor de um é a dor de todos,
Onde ninguém está só,
Onde todos têm acesso ao perdão, à cura de suas emoções, à amizade e a ser cada vez mais parecido com Cristo,
Onde os pastores são apenas ovelhas-exemplo e não dominadores dos que lhes foram confiados,
Onde os pastores são vistos como ovelhas-líder e não como funcionários a serem explorados.
Onde não há gente nadando na riqueza enquanto outros chafurdam na miséria,
Onde há equilíbrio, de modo que quem colheu demais não esteja acumulando e quem colheu de menos não esteja passando necessidades.
Enfim, a comunidade do reino de Deus,
Onde aparece a humanidade que a Trindade sonhou,
Onde a cidade encontra paradigmas.
Onde o livro texto é a Bíblia.
UM CRISTO CONVENIENTE
Pedem a ele, cantando, que mexa com a estrutura pessoal do novo convertido, que quer amar somente a ele, mas raramente lhe pedem que nos ensine a mexer com as estruturas de um mundo que não aceita repartir nem incluir quem não é do clube dos eleitos e privilegiados.
UM CRISTO CONVENIENTE
Um tanto quanto entristecido, ao ver alguns programas de televisão e ouvir quadros e programas de rádio nos quais Jesus era anunciado de maneira categórica e cabal por pregadores com claros sinais de pouco estudo da fé, afirmou o professor de cristologia: - Eles estão enfatuados de Jesus. O perigo é que acabem enfastiados tão depressa como ficaram enfatuados. Eles parecem saber mais sobre Jesus do que o próprio Jesus.
Pensei comigo. O velho mestre está certo! Gastou 50 anos estudando teologia, especialmente teologia dogmática e mais de vinte a estudar exegese e cristologia. Nunca lhe foi pedida qualquer opinião, nem por emissoras de rádio nem de televisão. Mas meninos e meninas, padres e pastores novos de novas igrejas em deslumbrados êxtases, entusiasmados com um Jesus que não estudaram, podem falar horas e horas e cantar dezenas de canções com textos nunca revistos sobre Jesus. É como pedir palestras sobre cardiologia a quem apenas aprendeu a medir pressão e a passar pomada nas feridas...
Pensei mais. Todo cristão tem o direito de crer em Jesus e entusiasmar-se com ele. Jesus realmente encanta e entusiasma. Mas, se for o Jesus dos Evangelhos e não o da imaginação do pregador, também obriga a pensar uma sociedade mais justa e a ser solidário. O direito que um pregador entusiasmado e em êxtase não tem é o de afirmar perante milhões de ouvintes e telespectadores, coisas que não estão na Bíblia, nem fazem parte da Tradição da Igreja.
Pensei ainda no livro de Jürgen Moltmann- “O Caminho de Jesus Cristo- Cristologia em Dimensões Messiânicas”. O autor e, com ele, inúmeros outros por ele citados, deixam claro que a subjetivização da mensagem de Jesus tornou-se uma espécie de grife. Criou um Cristo que só diz o que o pregador deseja que ele diga e de cuja doutrina se tira apenas o que traz proveito ao grupo que o anuncia. O Cristo que salvou um indivíduo não se transforma no cristo que ceio salvar milhões e sacudir as estruturas do mundo. Pedem a ele, cantando, que mexa com a estrutura pessoal do novo convertido, que quer amar somente a ele, mas raramente lhe pedem que nos ensine a mexer com as estruturas de um mundo que não aceita repartir nem incluir quem não é do clube dos eleitos e privilegiados. Andamos esquecidos de pedir a ele que nos ensine a amar os outros, especialmente quem não concorda conosco e até nos questiona e silencia.
Ocultam ou silenciam o Cristo que certamente combateria a proliferação das armas nucleares, o empobrecimento das nações, a supremacia das potências econômicas e atômicas e a corrida às armas de conquista e de dissuasão, corrida que desvia trilhões de dólares, rublos, euros, ienes e reais para a produção de instrumentos de defesa ou de morte, enquanto o terrorismo, a fome e o desperdício grassam pelos cinco continentes.
Desse Jesus não se ouve falar com tanta freqüência: o reivindicador, o que manda vestir a camisa dos pequenos e oprimidos. Do Jesus que salva o indivíduo e lhe dá paz interior e certeza de que será salvo se orar todos os dias e for bonzinho para com o seu vizinho, ouve-se falar o tempo todo. Canoniza-se o sujeito e o seu projeto pessoal e subjetivo e ignora-se o projeto de justiça e paz que Jesus anunciou a vida inteira. Trocam o “ai de vós” pelo “bem-aventurados sois vós”.
O velho professor de cristologia lembrava que o Jesus conveniente tomou conta das pregações e os templos viraram lojas de arrecadação e de conveniência... Pegue o que lhe interessa e pague ao sair... Foi embora ajustando o boné e eu fiquei pensando em tudo o que ouvira. De fato, com esse discurso pouquíssimos programas de rádio e de televisão o convidariam. Mas isso não torna os convidados sorridentes e suaves mais certos do que ele. Paulo já previa isso na 2 Tm 4,1-5. O leitor faria bem se as relesse!
Pensei comigo. O velho mestre está certo! Gastou 50 anos estudando teologia, especialmente teologia dogmática e mais de vinte a estudar exegese e cristologia. Nunca lhe foi pedida qualquer opinião, nem por emissoras de rádio nem de televisão. Mas meninos e meninas, padres e pastores novos de novas igrejas em deslumbrados êxtases, entusiasmados com um Jesus que não estudaram, podem falar horas e horas e cantar dezenas de canções com textos nunca revistos sobre Jesus. É como pedir palestras sobre cardiologia a quem apenas aprendeu a medir pressão e a passar pomada nas feridas...
Pensei mais. Todo cristão tem o direito de crer em Jesus e entusiasmar-se com ele. Jesus realmente encanta e entusiasma. Mas, se for o Jesus dos Evangelhos e não o da imaginação do pregador, também obriga a pensar uma sociedade mais justa e a ser solidário. O direito que um pregador entusiasmado e em êxtase não tem é o de afirmar perante milhões de ouvintes e telespectadores, coisas que não estão na Bíblia, nem fazem parte da Tradição da Igreja.
Pensei ainda no livro de Jürgen Moltmann- “O Caminho de Jesus Cristo- Cristologia em Dimensões Messiânicas”. O autor e, com ele, inúmeros outros por ele citados, deixam claro que a subjetivização da mensagem de Jesus tornou-se uma espécie de grife. Criou um Cristo que só diz o que o pregador deseja que ele diga e de cuja doutrina se tira apenas o que traz proveito ao grupo que o anuncia. O Cristo que salvou um indivíduo não se transforma no cristo que ceio salvar milhões e sacudir as estruturas do mundo. Pedem a ele, cantando, que mexa com a estrutura pessoal do novo convertido, que quer amar somente a ele, mas raramente lhe pedem que nos ensine a mexer com as estruturas de um mundo que não aceita repartir nem incluir quem não é do clube dos eleitos e privilegiados. Andamos esquecidos de pedir a ele que nos ensine a amar os outros, especialmente quem não concorda conosco e até nos questiona e silencia.
Ocultam ou silenciam o Cristo que certamente combateria a proliferação das armas nucleares, o empobrecimento das nações, a supremacia das potências econômicas e atômicas e a corrida às armas de conquista e de dissuasão, corrida que desvia trilhões de dólares, rublos, euros, ienes e reais para a produção de instrumentos de defesa ou de morte, enquanto o terrorismo, a fome e o desperdício grassam pelos cinco continentes.
Desse Jesus não se ouve falar com tanta freqüência: o reivindicador, o que manda vestir a camisa dos pequenos e oprimidos. Do Jesus que salva o indivíduo e lhe dá paz interior e certeza de que será salvo se orar todos os dias e for bonzinho para com o seu vizinho, ouve-se falar o tempo todo. Canoniza-se o sujeito e o seu projeto pessoal e subjetivo e ignora-se o projeto de justiça e paz que Jesus anunciou a vida inteira. Trocam o “ai de vós” pelo “bem-aventurados sois vós”.
O velho professor de cristologia lembrava que o Jesus conveniente tomou conta das pregações e os templos viraram lojas de arrecadação e de conveniência... Pegue o que lhe interessa e pague ao sair... Foi embora ajustando o boné e eu fiquei pensando em tudo o que ouvira. De fato, com esse discurso pouquíssimos programas de rádio e de televisão o convidariam. Mas isso não torna os convidados sorridentes e suaves mais certos do que ele. Paulo já previa isso na 2 Tm 4,1-5. O leitor faria bem se as relesse!
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